segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Livro II

As horas não passam. Falta pouco, mas o pouco que falta dura mais que grande parte do tempo que já passou…

As folhas de um livro que não me compete a mim proteger, está praticamente pronto para ser escrito. As letras querem ser impressas em folhas que eu já não posso proteger.

Esta escrita que eu queria proteger, não se enquadra com a capa que eu tenho para partilhar, por isso sinto-me fraco, menos homem, mais triste. Por isso eu tento levantar-me e aproveitar um outro tempo mais livre, menos preocupado, onde eu posso escrever nas minhas folhas, que ainda têm muito por preencher.

Esta foi uma oportunidade, falhada, que me ensinou e mostrou que ainda tenho muito para escrever sobre mim. Quando chegar o capítulo certo, eu próprio vou escolher a escritora para as folhas brancas que terei dentro da minha capa.

Apesar de tudo, ainda te amo.

DLS



quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sem cera o pavio apaga-se. Está escuro.

Sonhar a Saudade

Ás vezes tenho saudades do tempo em que fui aproveitando mais o mar e o pôr-do-sol, das companhias nocturnas e misteriosas, daquele sal próprio no corpo.
Saudades de não ter responsabilidades...
Do moinho.
Da tenda de madeira onde passava horas a ler.
De por o fato a secar, sabendo que no outro dia bem cedo, e ainda húmido, ja ia estar de novo colado ao meu corpo.
Saudades de estar sozinho dentro de água com a praia deserta, e a ver o sol desaparecer.
De ficar na falésia a olhar para o mar que se envolvia nos meus pensamentos ora vagos, ora concretos.
De sentir aquela areia grossa e de dormir com aquele sal todo no corpo.
Nesse tempo, em que aproveitei mais o mar, envolvi-me com um lugar.
Lugar esse onde senti a verdadeira união e fusão com o mar.
Onde quase morri e voltei a nascer.
Onde escrevi e me organizei.
Sonhei, cresci e vivi.
Onde já não vivo, não cresço, mas que continua a ser pano de fundo de muitos dos meus sonhos.